quarta-feira, 8 de março de 2023

Quando meu Sertão Colorido esteve na Mostra Cariri

Em 2022 eu realizei a primeira exposição individual da série Sertão Colorido. Com a agenda corrida, acabei não vindo aqui falar sobre isso e a postagem foi ficando pra depois. E o depois ficou pra depois mesmo! Mas vamos lá, que sempre é tempo de falar das boas realizações.

Sertão Colorido na galeria da Fundação Casa Grande

Iniciei a série Sertão Colorido em 2020 com o quadro O Vaqueiro e de lá pra cá já pintei algumas obras. Com a maioria delas ainda em minha posse, resolvi que queria expor. Comecei participando de coletivas enquanto produzia mais quadros, até que veio a primeira individual com a série, em agosto de 2022, por ocasião da Mostra Cariri de Culturas, evento realizado pelo SESC e Sistema Fecomércio nas principais cidades do Cariri Cearense. 

Aprovada no edital da Mostra Cariri, a exposição fez parte dela, sendo montada na galeria da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda. Após o encerramento da programação da Mostra, a exposição permaneceu em cartaz por mais um mês. Nos três dias da Mostra eu estive presente, pintando ao vivo dentro da galeria. 

Uma exposição com cara de ateliê

Eu gosto muito de pintar com gente assistindo, interagindo, por isso eu e minha produtora, Elis Oliveira, incluímos a pintura ao vivo no projeto da Exposição Sertão Colorido. A ideia é criar um clima onde o público visitante se sinta dentro do meu ateliê. Uma área da galeria é destinada a realização da pintura ao vivo, contando com cavalete, tintas, pincéis e tudo o mais que caracteriza o local de trabalho de um pintor. Além disso, para dar mais clima de ateliê, alguns quadros são expostos em cavaletes ou dependendo do caso, até no chão, escorados nas paredes.

Cantinho com cara de ateliê bem sertanejo. Olha essa cadeira com assento de couro! (Foto: Elis Oliveira)

Nessa primeira exibição eu aproveitei que estávamos em Nova Olinda, terra do mestre Espedito Seleiro e pintei um retrato dele durante os três dias da Mostra Cariri. Para concluir o desafio dentro do tempo de três dias eu contei com a participação muito especial da Elis Oliveira, que além de me produzir, dá assistência na pintura e em alguns casos também pinta comigo.

Produtora, assistente, pintora... Ela faz tudo!

Alias, aproveito para agradecer à Elis pelo excelente trabalho de produção, atuando junto ao SESC e à Fundação Casa Grande. Ela assumindo a produção fez toda a diferença, me permitindo focar e me dedicar à pintura dos quadros com todo o meu característico perfeccionismo.

Homenagem ao Mestre que é uma das minhas referências

A obra do mestre Espedito Seleiro é uma das inspirações e referências para o meu estilo, principalmente na série Sertão Colorido. Tanto que no primeiro quadro da série, o gibão do queiro é como se fosse uma obra do mestre Espedito. Quando vi que o SESC escolheu Nova Olinda pra levar minha exposição, não deu outra, resolvi pintar um retrato dele!

Eu não levei nenhuma ideia pré-definida de como seria a obra, preferi decidir isso quando chegasse lá e o encontrasse pessoalmente. Alias o encontro foi muito bom, tomamos café na casa dele, batemos papo, ouvimos histórias e conhecemos sua loja e ateliê. 

Batendo papo com o mestre. (Foto: Elis Oliveira)

Conversa vai, conversa vem, ele me mostrou um retrato pintado pelo Maninho Seleiro, seu filho e herdeiro artístico, gente tão boa quanto o pai. Resolvi usar o quadro do Maninho como referência e fiz uma releitura no meu estilo. Assim, seu Espedito aparece no meu quadro costurando o gibão do Vaqueiro.

Retrato pintado por Maninho Seleiro

Depois da obra concluída fizemos uma entrega simbólica, já que o quadro, além de uma homenagem, foi um presente pro mestre e, após entregar eu pedi de volta pra deixar na galeria :) . Ao final da exposição o quadro foi entregue a ele em definitivo.

Momento da entrega simbólica, no teatro da Fundação Casa Grande. (Foto: Fundação Casa Grande)

Além do quadro do Seu Espedito, expus um quadro que ainda está sendo pintado, A Bodega, que ficou em exibição com a pintura por terminar e talvez eu até deixe para finalizá-lo ao vivo noutra galeria. Apresentar obras ainda em andamento também faz parte da proposta da exposição, já que a ideia é que a cada vez que ela ocorrer eu esteja presente, pintando ao vivo, seja começando uma nova obra, seja continuando uma já começada. 

Breve numa galeria perto de você!

Atualmente estamos conversando com algumas instituições e inscrevendo em novos editais para que em breve possamos estar levando a exposição Sertão Colorido pelas cidades e pelo sertão afora, sempre contando com a minha presença pintando ao vivo em cada edição.

E caso você ou sua instituição queiram levar a Exposição Sertão Colorido para sua cidade, basta entrar em contato pelo email producaoelinaudobarbosa@gmail.com

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Por que eu cancelei o Nerdversário

Mês passado eu publiquei aqui que faria um aniversário nerd, o Nerdversário, conectado a uma campanha de crowdfounding para publicação das duas primeiras revistas do meu universo de super-heróis. Até cheguei a começar o esquenta da campanha, mas depois parei. E agora vou revelar o porquê desse cancelamento. Ou os porquês.

Quadro de uma das tirinhas da série "Operação Nerdversário" que era uma espécie de "esquenta" da campanha

Primeiramente, havia um tempo muito curto para realizar a campanha e finalizar a tempo de ter as revistas impressas já na data do meu aniversário, que é daqui a uma semana. Na época faltava menos de dois meses e embora parecesse muito tempo, na verdade não era, considerado que eu precisaria de pelo menos um mês e meio só para realizar a campanha, fora os prazos de gráfica.

O segundo porquê é que eu ainda estou desenhando duas das HQs que comporão essas revistas e, por conta dos meus compromissos artísticos o tempo estava muito curto para desenhar do jeito que gosto, com calma e muuuuito perfeccionismo. Como falei antes, as revistas serão edições ampliadas das publicadas digitalmente, ganhando HQs novas e inéditas, que ainda estou produzindo.

O terceiro porquê é algo menos objetivo, mas não menos relevante, que é o fato de eu estar, justamente por conta de meus compromisso artísticos, um tanto afastado do meio quadrinístico, o que poderia comprometer o engajamento na campanha. Enquanto meus colegas autores de todo o país estão presentes o tempo todo em postagens, lives e fazendo crossovers, eu tenho estado mais distante desse movimento e portanto sendo menos visto.

E tem ainda um outro pormenor. Minhas revistas são inícios de arcos de origem, não tem histórias de muita ação nem cenas de grande impacto, que costumam ser mais atrativas para o público leitor de super-heróis. Isso também poderia comprometer o interesse pelas publicações e representava, ao meu ver, um risco a mais de não bater a meta.

Mesmo sem muitas cenas de ação, as páginas estão ficando lindas!

Assim, achei por bem deixar a campanha para um outro momento e preparar tudo com mais calma, para que seja realmente eficiente na captação dos recursos e no engajamento do público para o lançamento das revistas.

O aniversário vai ser normal mesmo, algo mais intimista. Mais ainda gosto da ideia de um Nerdversário e quem sabe eu não faço ele no ano que vem?

Elinaudo Barbosa

terça-feira, 31 de maio de 2022

Arte pela Paz na Mostra 8 de Maio

Tudo Pela Paz é o tema da Mostra 8 de Maio, que está acontecendo no Centro Cultural Banco do Nordeste - CCBNB, aqui em Fortaleza. É uma exposição coletiva, da qual estou participando ao lado de mais de 80 artistas cearenses e radicados no Estado, com uma rica diversidade de obras e estilos entre pinturas, fotografias, esculturas colagens etc. Está em cartaz até o dia 30 de junho.

Minha contribuição artística para a Paz Mundial

Minha obra é o quadro "Paz na Terra", uma pintura em acrílica sobre tela que é uma releitura de uma arte digital que fiz em 2000 para uma página especial sobre a Paz publicada no caderno Vida & Arte do jornal O Povo, onde eu era ilustrador na época. Fazia um tempinho que pensava em fazer uma nova versão dessa arte e acho que casou perfeitamente com o tema da exposição. 

Nesta nova versão dei mais ênfase às pessoas, onde cada uma representa um continente e também à simbologia presente nas formas e nas cores. Se você olhar bem, vai ver bastante simbolismo na obra toda. É assim que vejo como a Paz pode ser construída. 

Interessante que as duas versões da obra mostram a evolução do meu estilo de 2000 pra cá.

A obra atual, acrílica sobre tela, 40x40 cm...

...e a primeira versão, em arte digital, de 2000.

E essa é a página onde minha arte saiu. Ainda tenho o exemplar guardado, bem amareladinho.

A mostra, que este ano homenageia o artista Vando Figueiredo, fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Nordeste-CCBNB, na Rua Conde D’Eu, 560, Fortaleza, das 8:30 às 17h, de terça à sábado, até o dia 30 de junho. Visitação gratuita.

A arte cearense aguarda sua visita!

Elinaudo Barbosa
segunda-feira, 30 de maio de 2022

Meu Sertão Colorido chega no Rio de Janeiro

Após alguns adiamentos por conta ainda da pandemia, enfim teremos a Mostra Turismo Ceará no Rio, de 3 a 12 de junho no Barrashopping. E como já havia sido anunciado, eu participo da exposição de arte que ocorrerá dentro da Mostra com as obras da série Sertão Colorido. As obras estarão à venda no evento.

Meu Galo está indo cantar noutro terreiro. Foto: Lino Vieira

Dentre as obras que vou expor estão “Mulher Rendeira”, pintada em setembro de 2021 e “Ela só quer, só pensa em namorar”, ainda inédita, concluída agora no finalzinho de maio. Essas duas pinturas estão interligadas e fazem parte de uma narrativa, uma novelinha sertaneja, que eu vou contando através das obras que compõem a série.

Que namorá que nada, mainha! Eu tô pensando é que ônibus eu pego pra ir pro Ridijanêro!

Como costumo dizer, eu sou um contador de histórias. Meus quadros são como se fossem frames de um filme e sempre tem um contexto na minha cabeça para aquela cena ser como está ali. Sertão Colorido vem de muitas histórias que ouvi, umas reais, outras inventadas, outras enfeitadas, enfim, cada caso é um causo.

Também vão "Galo Cantando" e "Lata D'Água na Cabeça", ambos pintados no segundo semestre de 2021. O Galo e a Rendeira já estiveram em exposição como parte da coletiva "Um Lugar Espelhado na Arte", ocorrida de outubro a novembro do ano passado na galeria do Shopping Benfica, aqui em Fortaleza.

Eu e a Rendeira na exposição do Shopping Benfica. Foto: Lino Vieira

Agora meus amigos do Rio terão a oportunidade de ver de perto minhas cores sertanejas. E quem quiser adquirir, todos os meus quadros expostos estarão à venda no próprio evento.

Serviço

Mostra Turismo Ceará no Rio
Onde: BarraShopping, no Bairro da Tijuca
Quando: 3 a 12 de junho, das 10h às 22h
Realização: Origami Eventos e In Novarh Eventos

domingo, 8 de maio de 2022

Adeus ao mestre George Pérez

Na sexta-feira, 6 de maio, partiu para o multiverso espiritual o grande artista George Pérez, uma das minhas principais influências como quadrinista. Como já falei em outros posts foi a obra Crise nas Infinitas Terras, magistralmente desenhada por ele, que me despertou o desejo de criar um universo de super-heróis.

George e a icônica capa da Crise nas Infinitas Terras

Eu vi muito pouco do trabalho dele na Marvel, mas na DC li muita coisa, como a fase dos Novos Titãs, onde criou os personagens Cyborg, Ravena, e Estelar e transformou o Robin Dick Grayson no Asa Noturna. E li e reli tantas vezes a saga que me inspirou, a clássica Crise. Tanto Crise quanto a fase dos Titãs foi feita em parceria com o roteirista Marv Wolfman. Os dois formavam uma dupla perfeita que nos rendeu grandes e inspiradoras HQs.

E aqui recriando a cena com uma fã que definitivamente ganhou o dia

Mestre, vá em paz e obrigado por me inspirar.

Elinaudo Barbosa


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Eu sempre quis ver heróis junto com Star Wars

Hoje, 4 de maio, é o Star Wars Day, data em que os fãs celebram a obra máxima de George Lucas pelo mundo todo. E eu sou um fã de Star Wars desde que vi pela primeira vez num pequeno televisor preto e branco na sala da minha casa. Desde então acompanho a obra, vendo principalmente os filmes e as séries.

Uma coisa que sempre sonhei foi em ver algo que misturasse super-heróis com Star Wars. Achava que um dia fosse acontecer, mas mesmo hoje a Lucasfilm sendo da Disney, que também é dona da Marvel, os universos continuam separados.

Já que não fizeram no universo deles, eu fiz no meu :)


Em sendo assim, eu resolvi fazer minha própria versão de uma guerra nas estrelas com super-heróis. Esse quadro, que faz parte da série de origem da minha heroína Estrela Azul, que estou desenhando atualmente, é uma realização pra mim, porque consegui traduzir nessa cena a minha visão de como essa junção de universos ficaria.

Estrela Azul terá seus primeiros capítulos publicados em breve, como parte da Operação Nerdversário, onde vou por em financiamento coletivo duas das primeiras revistas do meu @universoebcomics
domingo, 1 de maio de 2022

Aniversário com quadrinhos e campanha no Catarse

Neste ano de 2022 resolvi fazer meu aniversário de uma forma diferente. Vou aproveitar a data para realizar um sonho que venho alimentando nos últimos anos: publicar meus quadrinhos em versão impressa. Para isso, farei uma campanha de financiamento coletivo, com início agora em maio e um evento no finalzinho de junho para início de julho, onde vou celebrar meus 47 anos lançando as primeiras HQs do meu universo de super-heróis, o Universo EB, em papel.

Protótipo de uma das revistas que vou lançar no meu Nerdversário

Este ano faço Nerdversário

Pois é. Além do artista plástico que pinta quadros multicoloridos, do cara que passou anos atuando nas causas socioambientais, também sou nerd daqueles que não só gostam de super-heróis em plenos 46 anos de idade, como tem seu próprio universo. E esse nerd, que há 6 anos e meio vem criando e desenhando personagens e histórias publicadas na internet, agora quer lançar também essas criações em revistas de papel.

Para quem começou ainda na infância a desejar ser um quadrinista, é a realização de um grande sonho! Tudo bem que naquela época eram outras ideias, outras propostas, mas a sensação de ter um quadrinho feito por mim materializado em uma revista parecida com aquelas que eu lia e me inspirava, é um sonho recorrente, que mesmo eu tendo deixado de lado para fazer outras coisas ou até dito pra mim mesmo que desisti, sempre esteve lá, guardadinho em algum lugar da minha mente (e do coração, pois sou canceriano!), esperando pelo momento de se tornar realidade.

Seis anos e meio criando histórias que agora quero levar para o impresso


Outro desejo que venho segurando nos anos recentes, por conta de tudo que tem acontecido, é celebrar meu aniversário. Quem me conhece sabe que eu adoro que minha data seja um evento especial. Assim resolvi unir esses dois desejos e realizar o Nerdversário, uma ação que que inicia com uma campanha de financiamento coletivo para custear a impressão e publicação das duas primeiras revistas do meu universo de heróis e se conclui com um evento onde comemorarei meus 47 anos lançando as revistas ao lado dos amigos, parceiros e admiradores da minha arte e dos meus personagens.

Meu presente de Nerdversário será a sua contribuição

A campanha de financiamento coletivo será através da plataforma Catarse, bastante conhecida e usada por autores nacionais de quadrinhos. O presente que quero dos amigos e admiradores do meu trabalho é a participação na campanha, comprando os pacotes de recompensas e também divulgando a iniciativa em suas redes de amigos. E o legal disso é que você me presenteia através da sua contribuição e ganha também um presente, que são as revistas e brindes do pacote de recompensa que escolher!

Como dizem naquelas propagandas de loja, a gente faz aniversário, mas quem leva o presente é você!

As duas revistas que vou lançar

Através da campanha do Nerdversário farei a publicação impressa de duas das primeiras revistas do selo EB Comics: Universo EB 1, que lancei na internet em 2017 e Brasiliana 1, publicada digitalmente em 2018. Ambas as revistas, que originalmente tinham 12 e 14 páginas de quadrinhos receberão HQs inéditas, passando a ter 32 páginas cada na versão impressa e ainda ganharão novas capas.

Universo EB, a revista que leva o mesmo nome do meu universo, foi criada para ser o almanaque dos heróis da EB Comics. A nº 1 digital trouxe a primeira HQ da Gata Púrpura e ainda apresentou o Doutor do Tempo e a Cartomante. A nova edição terá, além dessas histórias, os dois primeiros capítulos da origem da heroína Estrela Azul.

Brasiliana, que saiu no digital com o capítulo 1 da origem da heroína verde-amarela, sairá impressa trazendo também o capítulo 2, onde ela bota pela primeira vez o uniforme e inicia sua jornada heroica em busca de elucidar o assassinato do pai, prefeito da cidade fictícia de Nova Cruzeiro, e as diversas denúncias de corrupção que começaram a pipocar na imprensa.

Universo EB e Brasiliana ganharão mais páginas e novas capas

O começo de tudo

Como já falei em outros posts, o Universo EB é um universo todo interconectado, onde as histórias fazem parte de uma cronologia. Essas duas revistas são o começo de tudo para o leitor. As histórias que aparecem nelas continuarão nas edições seguintes e em títulos solo dos personagens.

Ao participar desse projeto você não estará me presenteando só com a publicação impressa dessas duas revistas, seu presente será muito maior. Você vai estar me ajudando a iniciar uma jornada tão heroica quanto as dos meus personagens, que é contar em quadrinhos uma história de todo um universo de super-heróis brasileiros que venho criando e desenvolvendo ao longo dos últimos 6 anos e meio.

E você e todo mundo ganham de presente um universo infinito de heróis e heroínas, vilões e vilãs e diversos coadjuvantes com histórias e sagas que acontecem no Brasil e fora dele, na Terra e do outro lado da galáxia, no tempo presente, no futuro e até na Idade Média.

Histórias que um dia, quem sabe, poderemos ver na tela do cinema ou numa série de televisão ;)

A aventura do Nerdversário está começando!

Nos próximos dias irei fazer o lançamento da campanha na plataforma Catarse. A partir daí você poderá contribuir com o projeto tanto adquirindo seu pacote de recompensas quanto divulgando a campanha através das suas redes e entre os seus amigos e pessoas interessadas em boas histórias de super-heróis.

E, claro, se preparar para marcar presença no dia do evento do meu Nerdversário!

Vamos juntos para o alto e avante!

Elinaudo Barbosa
domingo, 24 de outubro de 2021

Priorizando os quadrões, adiando os quadrinhos

Essa foi uma decisão que tomei ano passado e estava em curso até o início deste ano. Aí houve o que houve com meu pai e eu dei uma longa pausa nas pinturas e tudo relativo a elas. Com isso acabei me dedicando bastante à produção dos quadrinhos, como disse em outro post. Porém, ao voltar à ativa social e comercialmente falando, vieram as exposições, a produção dos quadros e os novos projetos, atividades que estão me tomando todo o tempo de produção artística. 

Pincéis a todo vapor

Nesse período off eu produzi várias páginas de HQs e refiz o planejamento editorial do selo EB Comics. Com todo o material produzido e as novas edições planejadas, quase optei por inverter o planejamento para os próximos três ou quatro semestres, levando o foco para os super-heróis com publicação de revistas impressas e início do processo de transmídia. Mas, estrategicamente falando, manter a decisão do ano passado é bem melhor.

Algumas das páginas finalizadas este ano.


Não é tão simples construir um universo

Quando lancei o Universo EB em 2015 eu achava que logo ia fazer vários lançamentos, mas...  Ufa! Desenhar HQs é um trabalho demorado! Tenho que entregar os pontos e aceitar que não dá pra fazer um universo inteiro de HQs sozinho. E quando se quer um universo transmídia, é mais trabalho e tempo ainda que necessita para que tudo aconteça.

Minha intenção sempre foi eu mesmo desenhar todas as HQs que estabeleçam a base canônica do meu universo e só depois passar a contar com outros quadrinistas na produção das HQs. A realidade, porém, me mostrou que é preciso rever isso, o que farei a partir de 2022.


Foco nos quadrões

Assim sendo, o foco está nas pinturas, aproveitando a carona da retomada das atividades presenciais. Tenho duas séries de quadros em andamento, planos para uma terceiras e, como falei na entrevista que dei pra coluna Frisson, ainda tenho planos de pintar ao vivo em alguns locais. Vai ser uma virada de ano bem movimentada.

E depois da virada, segue o movimento pelo ano todo!

Mas é claro que não vou deixar tudo totalmente na geladeira. Como já falei aqui antes, quadrinhos são parte de mim e quando passo tempo sem desenhá-los sinto muita falta. Assim, de vez em quando vou dar uma paradinha e desenhar uma ou duas páginas. Além disso, algumas conversas que venho travando sobre parcerias serão continuadas, preparando o terreno para os próximos passos.

Contando sempre com a paciência de quem está esperando as novas HQs dos meus heróis e heroínas.

Elinaudo Barbosa

Minha série de borboletas multicoloridas

Minha primeira série de obras pintadas em telas teve início no ano passado (2020). São as borboletas, figuras humanas de um universo fantástico com asas multicoloridas de borboleta. A série, que é composta de criações espontâneas e telas encomendadas surgiu a partir de uma arte digital feita um ano antes.

Pintando a Iracema Borboleta em novembro de 2021 (foto: Leonardo Filho)

Em fevereiro de 2019, em mais uma das polêmicas nacionais envolvendo a questão da diversidade de gênero, eu criei uma arte digital e publiquei no meu Instagram em apoio à causa. Gostei muito dela, algumas pessoas também disseram ter gostado e fiquei com planos de pintar numa tela. Mas as telas das borboletas coloridas só começariam a ser pintadas no ano seguinte e o quadro da diversidade acabou não sendo o primeiro com asas multicoloridas.

Arte digital criada em fevereiro de 2019

Uma encomenda me animou pra começar a série

Patrícia Teles, amiga que conheci quando estávamos atuando no Causas do Bem, me procurou para encomendar um quadro para sua casa. Durante o briefing, mostrei pra ela a arte das borboletas e sugeri o tema para o quadro dela. A obra conta sua história de vitória e transformação pessoal e a borboleta é um símbolo perfeito para isso. A obra foi finalizada e entregue em agosto de 2020.

Logo após dar os retoques finais na obra (Foto: Leonardo Filho)

Esse commission foi o estímulo que faltava pra eu pintar minhas borboletas. Em setembro eu pintei uma tela adaptando a arte digital das borboletas. O quadro, que seria o primeiro das borboletas, acabou sendo o segundo de uma série que continua em aberto. Alias, esse quadro é o único que ainda está comigo.

"O Amor em todas as Cores", ou "O Beijo", como parece que vai acabar sendo conhecida essa tela :)

Entre outubro e novembro do mesmo ano duas novas borboletas surgiram, ambas para o acervo do hospital HCF, aqui de Fortaleza. A primeira é uma Vênus no Espelho, cuja inspiração vem das obras clássicas de Velásquez e de Ticiano. 

"Espelho, espelho meu, existe uma borboleta mais bela do que eu?"

A segunda é a Iracema Borboleta, inspirada na escultura Iracema Guardiã do cearense Zenon Barreto. Ambas as telas estão atualmente expostas na novíssima ala de cirurgia plástica do hospital HCF.

A Guardiã que pode voar

Em dezembro iniciei a produção de uma nova borboleta. Essa sofreu pausas por diversas circunstâncias e ainda está em andamento. Pretendo finalizá-la ainda este ano.

Outras borboletas já estão voando aqui na minha imaginação, dentre elas uma outra Iracema. Como disse, é uma série em aberto. Conta com quadros bem diversos em temas e também nos formatos das telas. O ponto em comum são as asas multicoloridas desses seres fantásticos que habitam meu multiverso.

Elinaudo Barbosa

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O lançamento da exposição no Benfica foi um sucesso

Quinta, dia 14/9, tivemos o lançamento da exposição coletiva Um Lugar Espelhado na Arte, iniciativa conjunta do Shopping Benfica e do projeto Arte Por Artista. É uma grande mostra, com obras de 39 artistas e eu participo com duas pinturas da série Sertão Colorido.

O time de artistas que faz parte da exposição. Foto: Daniela Nunes

Desde que a pandemia começou, eu só tinha ido em um evento, ano passado, que foi uma palestra da Patrícia Telles, onde ela apresentou o quadro que pintei pra ela. Depois disso nunca mais tinha ido a evento nenhum. Logo eu, que vivia nos eventos!

Esse lançamento foi minha reestreia, ainda meio sem jeito, com um monte de receios.

Eu adoro estar com as pessoas, sempre gostei de eventos, tanto de participar quanto de ser parte deles e estava com saudades disso. Foi muito bom reencontrar amigos e colegas e penso que todo mundo ali estava nessa mesma sintonia de matar saudade. Nós artistas fomos em peso e deu bastante público, a galeria lotou. 

Momento de abertura da exposição. Foto: Daniela Nunes

Uma coisa que eu gostei muito foi da montagem, com recortes temáticos e cromáticos cuidadosamente pensados. Meu quadro da Rendeira, por exemplo, ficou no meio de outras obras com rendeiras e ao lado de uma obra de arte têxtil.

As rendeiras, logo na entrada da exposição.

Serviço:
Exposição “Um Lugar Espelhado na Arte”
Quando : 14 de Outubro a 14 de novembro de 2021 (horário de funcionamento do Shopping Benfica)
Entrada livre e gratuita.
Onde : Galeria Benficarte – Shopping Benfica, Fortaleza-CE


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Minha série de quadros Sertão Colorido entra em exposição

Nesta quinta, 14 de outubro, inicia a exposição coletiva "Um Lugar Espelhado na Arte", no Shopping Benfica, aqui em Fortaleza, onde participo com duas telas da minha série Sertão Colorido. Em fevereiro de 2022, essas e outras obras da série irão para o Rio de Janeiro, onde farão parte da "Mostra Turismo Ceará no Rio".

Mulher Rendeira, segundo quadro da série Sertão Colorido

Iniciei essa serie no ano passado, de outubro pra novembro, com o quadro Vaqueiro, que tive o prazer de pintar na casa do meu pai, no interior, a mesma casa onde aprendi a desenhar aos 6 anos de idade.

Pintando o Vaqueiro (foto: Elisângela Oliveira)

Agora em 2021 retomei a série, que já conta com mais três obras prontas e mais outras sendo gestadas para serem pintadas até janeiro do ano que vem. As telas atuais são um pouco menores que a primeira da série devido a um pedido da exposição do Rio para que as obras não passassem de 80 cm quadrados. Daí resolvi pintar parte da série em telas de 80x60 cm (ou 60x80 cm quando o quadro é vertical). Comparado com o tamanho das telas que costumo pintar, essas são bem pequenas :)

As telas Mulher Rendeira, segunda da série e Galo Cantando, quarta da série, estarão na exposição da Galeria Benficarte, cuja abertura acontece nesta quinta, dia 14, às 19 horas, e fica em cartaz até o dia 14 de novembro. É uma mostra grande, com mais de 30 artistas, iniciativa conjunta do Shopping Benfica com o projeto Arte Por Artista. A curadoria é da arquiteta e também artista plástica Andréa Dall'Olio.

Evento aberto, todo mundo convidado!


Serviço:
Abertura da Exposição “Um Lugar Espelhado na Arte”
Quando : 14 de Outubro, quinta-feira, às 19h
Onde : Galeria Benficarte – Shopping Benfica, Fortaleza-CE

sábado, 18 de setembro de 2021

Será o Batman aparecendo no céu do Bom Jardim?

Vou aproveitar que hoje é o Batman Day, evento anual organizado pela DC Entertainment para celebrar e promover o Batman, pra falar de uma aparição nos céus do Bom Jardim, em uma HQ que publiquei recentemente, nas duas páginas que finalizam a revista digital Universo EB 2.

Enquanto isso, nos céus do Bom Jardim...

Na cena, a Gata Púrpura se depara com uma estranho clarão no céu e no meio desse clarão pode ser vista uma cena que lembra os clássicos desenhos do Batman, com o herói de Gothan perseguindo algum de seus vilões. Seria um crossover do Universo EB com a DC? Um portal entre Fortaleza e Gothan City? 

Na verdade se trata de um personagem que criei há mais de duas décadas, num tempo em que eu era bem ligado no homem-morcego. Aí resolvi fazer essa cena propositalmente muito parecida, onde um leitor desavisado poderia achar que era mesmo o Batman que a Gata Púrpura estava vendo no céu. 


Um herói de um universo anterior ao Universo EB

Lá pelos anos 1990 eu era muito, muito fã do Batman, tanto que cheguei a ganhar uma festa de aniversário temática cujo bolo era o símbolo clássico do homem-morcego. Foi nesse tempo que eu criei minha primeira leva de super-heróis em parceria com o amigo Erivando Costa. Aí abandonamos tudo e os desenhos dos personagens acabaram se perdendo, exceto um, o personagem que criei inspirado no morcegão da DC.

Na época eu queria um personagem realmente parecido com o Batman, bem naquela linha de vou copiar o seu trabalho, mas não vou fazer igual. Cores, formas, jeito de agir, tipo de vilões, tudo iria ser bem parecido, embora não fosse uma cópia exata. O nome dele? Pássaro Noturno.

O herói será introduzido no meu universo atual em uma saga futura que ainda está só no argumento inicial, mas que será a abertura do Multiverso EB, com terras diferentes e realidades paralelas. Aí sim, será explicado direitinho o que significa aquela aparição no céu do Bom Jardim.

Mas já dá pra fazer umas teorias juntando a pequena HQ e o que escrevi aqui.

Feliz Batman Day.


Elinaudo Barbosa

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Como criei a heroína Gata Púrpura

Eu adoro gatos, sou doido por de histórias de super-heróis e a cor roxa é uma das minhas preferidas. Pois bem, a Gata Púrpura, primeira heroína que lancei, nasceu basicamente desses três gostos. E da minha vontade de contribuir de alguma forma com a causa animal.

A Gata bem misteriosa na capa da primeira publicação.


Os animais também precisam de heróis

Houve um período em que eu estive bastante próximo da causa animal e pude ver diversos relatos do pessoal que atua no dia-a-dia cuidando dos bichos abandonados, fazendo resgates e lutando contra os maus-tratos. Um desses relatos em particular havia me me chamado a atenção. Tratava-se do envenenamento de vários gatos que viviam no polo de lazer Gustavo Braga, no bairro Damas, aqui e Fortaleza.

Print de notícia da época

Uma protetora que alimentava os gatos de lá fez um desabafo emocionado, dizendo que não era a primeira vez que aquilo acontecia e que ninguém estava fazendo nada para encontrar e responsabilizar os culpados. 

Vendo a notícia e os relatos eu pensei no quanto essa história poderia ser diferente se existisse um super-herói na cidade para combater esse tipo de crueldade. Como seria legal ter um herói ou heroína que defendesse os animais.

Um ano ou dois depois eu botei na cabeça que ia criar meu próprio universo. Dentre as muitas ideias de personagens, relembrei da história do bairro Damas e decidi que criaria um herói defensor dos animais. E que teria poderes de gato!


Eu queria criar um gato (ou gata) do bem

Eu sempre achei os gatos pessoas muito legais e me incomoda a forma estigmatizada como eles são vistos e representados no imaginário das pessoas e nas histórias. Com raras exceções, gatos e gatas são colocados como vilões, ajudantes de vilões ou, no máximo, como anti-heróis. É o gato da bruxa nos contos de fadas, o gato que quer a todo custo jantar o pobre ratinho no desenho ou a gata ladra nos quadrinhos de heróis, que até pode ajudar o herói de vez em quando, mas está sempre pensando no próximo golpe. Daí, quando resolvi criar meu universo decidi que haveria uma representação felina heroica.

Fui juntando as ideias: um herói felino, que defendesse os animais e que usasse uniforme com a cor roxa. Faltava definir o gênero.

Quem conhece a causa animal sabe que a maioria das pessoas que atua nela são mulheres, então seria mais que justo que esse personagem fosse do gênero feminino. 

Foto de 2013 após uma reunião sobre os gatos do parque do Cocó. Os homens são minoria no movimento de proteção aos animais.


Roxo é legal, mas...

A ideia estava ganhando forma, estava surgindo a defensora dos animais, a incrível Gata Roxa!

Não, pera...

Gata Roxa não soa muito bem, né? Parece que a gata caiu do prédio ou levou uma surra do vilão e ficou toda roxa. Vamos repensar esse nome...

Aí lembrei que a tradução de roxo pro inglês é pourple. Púrpura! Era isso! Púrpura tem uma sonoridade muito mais legal em português do que roxo. De volta ao anúncio: eis a defensora dos animais, a incrível Gata Púrpura!

Viu como ficou melhor?

Pra não fugir totalmente do roxo, coloquei as duas cores no uniforme dela. Assim, se ela for traduzida para o inglês como Pourple Cat, não vai ficar errado. 

Pois é, pourple não é púrpura. Púrpura em inglês é crimson. Crimson Cat também não fica nada mal!


Arte conceitual e primeira HQ

Decididas as características, era hora de ir para a prancheta. Fiz alguns esboços e elaborei uma arte conceitual já bem próximo do que seria o design definitivo do uniforme.

Primeira arte conceitual da Gata Púrpura

Depois refinei um pouco mais e parti para o desenho da primeira HQ. Foi um trabalho pesado, virei noites fazendo. Havia muito tempo que não desenhava quadrinhos e eu ainda não sabia usar direito a mesa digitalizadora. Desenhei tudo em papel e só a colorização que fiz digitalmente. Era outubro de 2015.

Dia 13 de novembro a Gata ganhou vida nos quadrinhos com o lançamento de EB Comics 1, uma revista digital de 11 páginas com a HQ Uma Gata no Telhado, onde nossa heroína salva um gatinho e dá uma surra no homem que queria matá-lo.

A arte-final em papel e o quadrinho finalizado com colorização digital. Novembro de 2015.

Depois, já em 2017, eu resolvi mudar o título de "EB Comics" para "Universo EB" e republiquei a HQ em uma nova revista digital lançada em janeiro daquele ano.


Ia ser uma história maior

O plano para a primeira HQ era fazer uma história maior, contando uma noite toda de atuação da heroína na cidade de Fortaleza. Mas eu tinha outros trabalhos, desenhava muito lentamente ainda, resolvi fechar a narrativa nessa cena. A continuação da noite só veio quatro anos depois, quando lancei Gata Púrpura 1 com uma nova HQ, que continua exatamente do ponto onde a primeira parou.

Agora estou trabalhando em uma nova HQ que fará parte da versão impressa de Gata Púrpura 1, que contará com 32 páginas e deve ser lançada até o final do semestre.

Essa e outras novidades eu conto com mais detalhes em outros posts, que esse aqui já ficou longo demais e eu nem falei ainda do alter-ego da heroína.

Elinaudo Barbosa

terça-feira, 20 de julho de 2021

Feliz Dia do Amigo!

Mais um Dia do Amigo de abraços virtuais e saudades de reencontrar a todos para abraçar, conversar por horas, tomar umas e conversar mais ainda. E dia também de reforçar o desejo de que ano que vem, nesta data, tudo tenha passado.

Sintam-se todo/as abraçado/as

Eu sei que tem muita gente por aí que já chutou o balde e foi se encontrar numa boa, abraçar, farrear, curtir a vida. Eu estou no grupo que ainda não acha nada seguro fazer isso e portanto hoje os abraços são só no virtual mesmo.

Quero abraçar meus familiares que são meus amigos, amigos que fiz na escola, nos locais de trabalho, movimentos e causas sociais por onde passei e também os tantos que fiz através da internet.

Desejo que todos estejam e fiquem bem para que ano que vem possamos nos encontrar no meu aniversário e tomar cerveja até a saudade acabar.

Feliz Dia do Amigo!

Elinaudo Barbosa

O "vixe" onde eu cresci

No post que falei da minha participação no hackathon social que houve no Bom Jardim em 2019 eu mencionei que morava no "vixe". Hoje vou explicar o que é esse "vixe" e como ele afeta as pessoas que, como eu, cresceram aqui e vivem aqui.

Pintura que fiz do Bom Jardim para o jornal O Povo, em 1994. A foto é de 2013.

"Vixe, doce "vixe"

Tirando os cinco anos que passei no interior próximo, posso dizer que cresci no Bom Jardim, onde estou morando mais uma vez enquanto escrevo este texto. Foi aqui também onde tive intensa participação em movimentos sociais e aprendi muito com essas experiências.

Bom Jardim é um bairro da periferia de Fortaleza, capital do Ceará.  Além do bairro em si, o nome abrange uma região composta também pelos bairros Siqueira, Canindezinho, Granja Portugal e Granja Lisboa, uma região cuja identidade e integração cultural foi formada pelos movimentos sociais, especialmente o movimento de Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, da Igreja Católica, que teve forte atuação na região nos anos 1980 e 1990. 

Avenida Oscar Araripe, a principal do Bom Jardim. Imagem recente, captada do Google Street View


Apesar das mudanças atualmente em curso causadas pela reorganização administrativa da cidade e pela própria mudança de visão territorial das pessoas, ainda é forte o conceito identitário de Grande Bom Jardim, de modo que quem mora em um dos bairros que formam a região é tido simplesmente como morador do Bom Jardim. Ou seja, mora no “vixe”.

Aqui no Ceará e em parte do Nordeste nós usamos uma interjeição de espanto bem peculiar nossa, o “vixe”, que vem lá do português antigo e era uma expressão oriunda da fé religiosa católica, o “Virgem Nossa Senhora” ou “pela Virgem Maria”, que com o tempo foi reduzida para “virgem” e por fim, chegou no nosso “vixe”. É uma interjeição muito usada quando alguém se refere a alguma coisa estranha, assustadora ou que represente perigo. Como os bairros da periferia de Fortaleza são, de forma estigmatizada, considerados perigosos, quando alguém diz "moro em tal bairro" o outro fala "vixe!". O diálogo começou assim:

— Onde você mora?
— No Bom Jardim.
— Vixe!

Com o passar do tempo, talvez numa tentativa de aliviar o tom depreciativo, ficou assim, meio que uma brincadeira:

— Você mora em que bairro?
— Lá no Vixe.

Essa imagem estigmatizada não existe apenas na cabeça de quem está do lado de fora. Ela está fortemente presente na cabeça de quem mora no bairro, de quem cresceu nele, uma sensação de inferioridade e indignidade comum entre quem nasce e vive nas tantas periferias do Brasil.

O Bom Jardim, no entanto, tem uma peculiaridade geográfica. Se você está em outra parte de Fortaleza e vem ao bairro, quase que invariavelmente terá que passar pela ponte, a Ponte do Bom Jardim. Se você sai do Bom Jardim para ir a outra parte da cidade, passará pela ponte. A ponte é portanto uma espécie de portal de acesso ao barro.

A ponte do Bom Jardim em imagem do Google Street View

Com o tempo e a experiência de anos atuando no social aqui na região, percebi que existe uma espécie de ponte imaginária no inconsciente das pessoas que vivem aqui. É aquela sensação de que os lugares além da ponte, sobretudo os lugares "dos ricos" "não são pra mim".

Foi esse estigma que eu propus atacar com a ideia que apresentei no hackathon. A ideia não foi aprovada, mas sigo com o pensamento de transformar a metáfora da ponte em um futuro projeto que ajudar as pessoas daqui e das periferias em geral a "cruzar suas pontes" e saírem de vez do "vixe".

Estou aberto a sugestões e parcerias.

Elinaudo Barbosa
sábado, 17 de julho de 2021

Quando eu falava sobre meio ambiente na TV cearense

Houve um período em que eu passei a ser convidado para opinar sobre meio ambiente em reportagens das TVs daqui de Fortaleza. A maioria foram essas falas rápidas gravadas na rua, que no jargão da TV se chama "sonora", mas cheguei também a participar em estúdio e uma dessas participações teve um final anedótico.

O ambientalista Elinaudo Barbosa gravando uma participação na TV

Como já falei aqui em diversos posts, atuei por bastante tempo na causa ambiental, com destaque para os últimos anos, quando criei, juntamente com outros parceiros ambientalistas, a Jornada em Defesa das Áreas Verdes. Além disso participei de vários eventos, audiências públicas etc. e nessas ocasiões eu sempre participava falando, seja como integrante da mesa ou mesmo estando na plateia.

Essas ações e falas me deram alguma visibilidade e passei a ser procurado pelas emissoras para comentar sobre o tema.

"Não vou aparecer de perfil não, né, moça?" Nessa época a barriga estava chegando pra gravar antes do entrevistado.


Terminando a entrevista com "uhum"

Esse final anedótico foi num ao vivo com a Isabel Andrade, que conheço desde o tempo de redação do O Povo, quando fomos colegas lá. Alias, na época dessa participação eu ainda estava no O Povo. Ela estava apresentando um jornal da TVC e me chamou para fazer uma participação falando sobre algum tema específico que não lembro mais.

Pergunta vai pergunta vem, eu dando minhas respostas, até que veio uma coisa pra eu confirmar e eu disse "uhum". Só que tinha acabado o tempo e ela me agradeceu e seguiu com o programa. A entrevista terminou no "uhum" Eu sei que minha amiga Isabel não fez de propósito, mas que ficou engraçado, ficou.

Depois disso eu aprendi a nunca mais dar respostas desse tipo, nem usar monossílabos, especialmente se for num programa ao vivo.

Deixei de participar por causa de edições ruins

Com o tempo a gente vai pegando a manha de dar respostas que sejam concisas e que não deem muito espaço para edição. Sim, os editores podem picotar a sua fala e, sem querer ou querendo, deixar parecendo que você disse o oposto do que realmente quis dizer.

Foi por um caso desses que deixei de me disponibilizar para essas participações. Fui convidado por uma emissora que não vou revelar qual, para opinar sobre um projeto que envolvia meio ambiente e expansão urbana. Gravei uma sonora de rua, me posicionando contrário à proposta e quando a matéria saiu minha fala havia sido tão editada que ficou parecendo que eu era a favor.

Já haviam editado falas minhas antes, mas esse caso foi, a meu ver, bem grave e, para evitar outros que acabassem comprometendo a minha imagem, deixei de participar.

Mas foi um período bom. Além de, como vocês já sabem, gostar de aparecer, eu gostava muito da contribuição que eu podia dar através dessas participações. Quando alguém é chamado por conta da área que atua a participação tem autoridade e peso na formação de opinião, especialmente na TV, que tem um alcance muito grande em relação ao outras mídias. Por isso agradeço a todos os jornalistas e produtores que me procuraram nesse período e me deram espaço para contribuir com esse tema tão importante para todos nós.

Se você me viu em alguma dessas participações conta aí nos comentários. E se tiver algum registro manda pra mim. Queria muito conseguir uma gravação do momento "uhum" :D

Elinaudo Barbosa
quinta-feira, 15 de julho de 2021

O surgimento do Estilo Elinaudo

Esse estilo que hoje aparece nas minhas telas, artes para produtos e até em logomarcas nasceu lá na virada do milênio. O mundo estava prestes a acabar e eu ainda era muito jovem pra me despedir de tudo isso. Assim, para que o apocalipse não acontecesse eu resolvi deixar o mundo muito mais colorido. :D

Uma das infogravuras que compôs minha primeira série de gatos, em 1999/2000

Finalizando a tela Iracema, da série Borboletas, em outubro de 2020. Foto: Leonardo Filho

No final dos anos 1990 fui convidado para participar de uma exposição sobre o Batman. Não recordo o ano exato, mas acredito que era 1999, quando o herói completou 60 anos de criação. Eu era ilustrador contratado do jornal O Povo na época e muito fã do homem-morcego. Comecei a rabiscar a partir de um traço que eu vinha desenvolvendo e saíram 4 ou cinco infogravuras. Nascia ali o Estilo Elinaudo. 

A exposição do Batman foi algo muito simples e nem fiquei com nenhum registro, mas foi o começo do estilo que hoje caracteriza minhas telas.

Depois dos batman's eu criei minha primeira série de gatos, também em infogravuras. Esses eu tenho todos os desenhos em arquivo. Aqui começava um capítulo à parte nessa história, o dos desenhos de gatos no Estilo Elinaudo. 
As cinco infogravuras que compõem a série Gatos

Os gatos infogravuras ficaram expostos durante um bom tempo na Arupemba, um site em formato de galeria virtual que montei também nos 90 para os 2000, que apresentava artes minhas e de outros artistas. 

Também cheguei a pintar uma tela como experimento do estilo, mas nunca finalizei e nem mostrei em lugar nenhum. Só pouquíssimas pessoas conhecem essa tela.

Marcas e artes para aplicação em produtos

Os anos passaram e eu não fiz mais artes ou séries no estilo que criei naquela época, embora continuasse fazendo estudos e esboços para desenvolvê-lo. A primeira arte pra valer só veio uma década depois, em 2012, quando criei uma marca para o movimento em defesa dos gatos do parque do Cocó, aqui em Fortaleza.

Foi a retomada profissional do estilo, usando ele na criação de marcas e artes para aplicação em produtos. Em 2014, eu criei a marca Amo Gatos, uma série de desenhos de gatos aplicados em camisetas, canecas e outros itens.

O primeiro da série Amo Gatos. Do desenho no papel à arte pronta para aplicação em camiseta

Produtos Amo Gatos com aplicação das artes e da própria marca, que também seguiu o Estilo Elinaudo

Marca que criei para o Lapeg, do meu amigo Armando Melo, em 2019

Faltavam as telas

Essas só vieram a partir de 2019, quando pintei um quadro do cantor lírico Thiago Arancan, intérprete oficial do Fantasma da Ópera no Brasil. Depois veio o retrato do meu amigo Pablo Robles, fundador do Causas do Bem e daí engrenou com vários quadros produzidos em 2020. Este ano fiz uma pausa forçada, por conta do período de luto pela perda do meu pai e agora estou retomando, finalizando mais uma tela da minha série Borboletas.

Momento da entrega do quadro ao Thiago Arancan, após o show dele no Teatro RioMar, aqui em Fortaleza. Nesse tempo só quem usava máscara era o Fantasma da Ópera.


Vênus, da série Borboletas. Acrílica sobre tela, pintada em 2020. Foto: Leonardo Filho

E os gatos?

Apesar do estilo ter sido marcado por gatos ao longo de sua evolução, só pintei uma tela deles até agora, bem na pegada dos gatinhos da Amo Gatos. Não sei ainda se continuarei com uma série a partir dessa tela, pois meu estilo está passando por mais uma evolução e talvez os gatos mudem também. 

Pra não dizer que não falei de gatos :)

Por enquanto estou nas borboletas e também na série inspirada no sertão, que comecei com o quadro Vaqueiro no final do ano passado.

Elinaudo Barbosa