domingo, 15 de maio de 2016

A estranha experiência de me desapaixonar de um país

Tenho vivenciado nos últimos dias, principalmente na última semana, momentos de tristeza, melancolia, queda de imunidade — o que fez minha alergia piorar —, tudo em razão de estar finalmente me curando de uma longa paixão não correspondida. Não uma paixão por outra pessoa, mas uma paixão pelo meu país, uma paixão chamada nacionalismo.

Não sei em qual altura destes meus 40 eu percebi que eu era nacionalista, mas sei que tem sido um negócio tão arraigado em mim que aparece até no meu mapa astral, segundo um amigo astrólogo. A ONG que fundei tinha “Brasil” no nome, projetos que criei idem. Algo que devia ser bom, mas não é. Em outros lugares do mundo eu teria amigos iguais a mim, veria esse mesmo sentimento nos governantes, mas no Brasil não é assim. Aqui, ser nacionalista é ser um bicho esquisito, incompreendido e não-aceito por todo o espectro ideológico, de modo que você é meio que um pária dentro de seu próprio país. Ou seja, ser nacionalista no Brasil é como ser perdidamente apaixonado por uma pessoa que desdenha e humilha você pelos seus sentimentos. De modo que só restou me desapaixonar pra poder seguir com a vida.

Digo que é um desapaixonar porque as sensações são iguais àquelas que qualquer pessoa que já perdeu uma grande paixão conhece. Uma profusão de sentimentos como a debater incessantemente dentro de você, aquele buraco que vai se abrindo no peito (que a gente só sabe que vai fechar porque já viveu isso antes), aquela tristeza acachapante, aquela necessidade de falar com alguém, de contar porque não deu certo (mas também dizer que poderia ter dado), aquela vontade de tomar um porre pra que o resto do sentimento se esvaia na eliminação do álcool.

Com era uma paixão antiga, a quebra do sentimento vem se dando aos poucos (talvez de 2013 pra cá) naquele vai e volta que toda paixão louca tem. No fundo a gente sabe que não dá certo mas não consegue parar de ficar procurando um jeito, até que o coração já não aguenta mais e finalmente abre uma porta para gente por o sentimento pra fora e se libertar, pra só assim poder seguir em frente e viver a vida. É a hora em que aquela pessoa que você mesmo colocou no pedestal volta a ser tratada da mesma forma que você trata as demais. 

Queria dizer que foi bom enquanto durou, mas foi péssimo, só levei rabissaca até finalmente entender que não tinha chance. O bom é que quando a paixão finalmente passa, você sente aquela liberdade, aquela leveza, que lhe deixa disposto pra vida novamente. É assim que começo a me sentir agora, livre. Livre de um sentimento que eu espero que nunca mais volte. 

Adeus, Brasil. Mesmo eu não indo embora você foi embora de dentro de mim.

Elinaudo Barbosa
15 de maio de 2016

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