terça-feira, 21 de julho de 2015

Se o mal merece volta, quanto vale o bem que recebemos?

Quando caminhavam pela mata, um mestre e seu discípulo ouviram um gemido atrás de uma moita. Foram verificar e descobriram um homem caído, pálido, já quase inconsciente. Ele tinha sido ferido próximo do coração e perdido bastante sangue, como evidenciava sua roupa manchada.

Com muita dificuldade mestre e discípulo carregaram o homem moribundo para o casebre rústico onde viviam e lá trataram do ferimento até que ele sarasse por completo.

Enquanto recebia os cuidados o homem contou que havia sido assaltado e que ao reagir fora ferido com uma faca. Disse também que conhecia seu agressor e que não descansaria enquanto não se vingasse.

Com a saúde restabelecida o homem se preparava para partir e disse ao sábio:
— Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo a minha vida. Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade. Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele pague pelo que me fez, que sinta a mesma dor que eu senti.

O mestre olhou nos olhos do homem e disse:
— Vá e faça o que deseja. Entretanto devo informar que você me deve três mil moedas pelo tratamento que lhe fiz.

O homem ficou surpreso pela cobrança inesperada e disse:
— Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!

Com serenidade, tornou a falar o sábio:
— Se não pode pagar pelo bem que recebeu, com que direito quer cobrar o mal que lhe fizeram?

O homem ficou confuso, e o mestre concluiu:
— Antes de cobrar alguma coisa, procure saber quanto você deve. Não faça cobrança pelas coisas ruins que aconteçam em sua vida, pois a vida pode resolver cobrar tudo de bom que lhe ofereceu.

Em uma época onde todo mundo quer vigiar e punir, quantos de nós pelo menos percebe o bem que recebe dos outros? Será que estamos dispostos a retribuir o bem tanto quanto queremos que o mal sera retribuído?

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