quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A hora agora é de parar e planejar

Assim que Dilma foi reeleita, publiquei um texto com o título “Reforma Política, a hora é agora” (goo.gl/XmmIRj), propondo que todo aquele povo que esteve nas ruas para assegurar com muita luta a vitória petista, mantivesse o embalo e fizesse já no dia 15 de novembro uma grande manifestação pela reforma do sistema político brasileiro. Houve manifestações, mas foram pequenas, e agora o momento passou.

Bastaram menos de três meses para que as minúsculas passeatas da oposição inconformada com a derrota de Aécio, ridicularizadas e ignoradas por nós eleitores vitoriosos de Dilma, virassem um perigo real. Agora eles mobilizam dezenas de milhares pelas redes sociais em todo o país e temo que desta vez não vejamos nas ruas só um punhado de gatos pingados como ocorreu antes, mas algumas multidões de gente enfezada (embora a maioria não saiba explicar por que está tão enfezada assim).

Se naquela época tivéssemos mantido a mobilização e engatado logo um grande movimento pela Reforma Política, teríamos mantido a condução do jogo. Mas como é comum ao povo achar que está ganho e se acomodar, a maioria foi pra casa, guardou suas bandeiras e foi pensar nas festas de fim de ano. Perdemos a vez. Enquanto o povo pensava nas lembrancinhas de Natal os inimigos do Brasil planejavam as próximas jogadas pra pegar todo mundo de calças curtas. E pegaram!

Veio a Lava a Jato, a Venina, o Aécio barbudo e a eleição do Eduardo Cunha e o povo em casa, esperando por quem não ficou de vir. Só na véspera do carnaval (não o de Momo, mas o que eles querem fazer dia 15 de março) é que começaram mobilizações mais visíveis pela Reforma Política. Agora é tarde, perdemos a hora de chamar o povo para fazer abaixo-assinado por reforma. Eduardo Cunha já tomou conta dela e botou um cara do DEM pra cuidar do galinheiro. Chamar o povo para apoiar Reforma Política agora é chamar o povo para avalizar a “reforma” que a direita quer fazer.

E ainda digo mais: nem mesmo devemos ir pra rua dia 15 de março em defesa do governo Dilma, pois seria também um grande erro. Primeiro porque não temos gente mobilizada como eles tem, e iríamos à rua em desvantagem, talvez em grande desvantagem, o que abala bastante a moral de quem quer combater o bom combate. Segundo que há uma grande possibilidade de isso dar em conflito e, se der, a imprensa que está toda do lado deles vai botar a culpa adivinha em quem? Ir às ruas no dia 15 é continuar jogando o jogo deles, prova disso é que andaram espalhando boatos pelas redes sociais de uma falsa convocação da militância petista.

Agora é hora de parar e pensar, analisar as várias jogadas que deixamos eles darem à nossa frente enquanto a gente dormia no ponto. É prudentíssimo esperar e ver se no dia 15 de março eles vão ter mesmo tanta gente assim na rua, avaliar as manifestações deles e planejar a resposta a elas. Combater só nas redes sociais e, pra quem tiver fígado, nos debates tête-à-tête, questionando e esclarecendo quem está servindo de inocente útil nessa guerra suja. As ruas ficam pra depois, com calma, planejamento e preparação para o que virá pela frente. E muita coisa virá. A guerra suja pelo Pré-Sal está só começando!

Elinaudo Barbosa

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