sábado, 8 de março de 2014

Devaneio

Há uns anos atrás, justo no dia 8 de março, comecei a divagar sobre como seria o mundo hoje se o gênero dominante tivesse sido o feminino. E vi que esse mundo teria tido bem menos guerras territorialistas, as cidades seriam mais horizontais, sem arranha-céus e os veículos de transporte seriam coletivos, ao invés de individuais. 

Talvez a ciência ainda fosse uma espécie de magia, o curandeirismo seria a medicina e astrologia e astronomia continuariam uma coisa só. A fome no mundo poderia ser bem menor ou até nem existir, já que o que fosse plantado e colhido seria para alimentar a grande família humana e não para ser estocado e vendido quando o preço pudesse dar mais lucro. 

Aí eu tive um clique no meio da minha divagação: onde estariam os homens? Haveria uma luta de emancipação de gênero ao contrário? Estariam os homens hoje competindo com as mulheres para alcançar as melhores posições na sociedade? 

Então me ocorreu que o mundo seria ainda melhor se não tivesse tido nenhum gênero dominante, se nossa sociedade e civilização tivessem sido criadas através de uma parceria entre ambos. Teríamos um mundo de equilíbrio, com o melhor das características femininas e também das masculinas presentes na civilização. 

Magia e a ciência existiriam, mas sem nunca ter se tornado antagonismos, o curandeirismo faria parte da medicina e a astrologia e a astronomia seriam irmãs em colaboração. As cidades seriam um pouco horizontais, um pouco verticais, talvez com uma estrutura concêntrica e com transporte coletivo predominando, mas também tendo transporte individual. Talvez a fome ainda existisse, mas estaríamos todos juntos trabalhando para realmente saná-la. As poucas guerras teriam sido por motivos justos e não para simplesmente acumular poder e territórios. O sexo seria sagrado como um dia, lá no passado muitíssimo remoto, já foi, e não um tabu como é hoje em dia. E a indústria do entretenimento seria muito, mas muito diferente do que é hoje. 

Então eu vi que esse devaneio era bom e, até hoje, vez por outra me lembro dele. Seria essa visão possível de se tornar realidade? Teremos um dia um mundo que não precise de oitos de março nem de leis Maria da Penha? Chegaremos a uma sociedade sem guerra dos sexos? 

E me vem à lembrança aquela música do Ivan Lins, que eu gosto muito: depende de nós.

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